Não passei por todos os problemas que ouço no consultório e nem por isso deixei de ajudar meus pacientes. Mas quando se trata de perder peso admito que o fato de ter vivido este processo me trouxe um novíssimo ponto de vista. De tal forma que consigo discernir quem viveu o tema e quem apenas fala dele. É aquela velha história, só sabe a guerra quem vive a guerra.

A Psicologia me trouxe uma visão sensível, mas não vou falar do lugar de um “suposto saber”. Envolvo-me com as dicas que passo, porque já as experimentei. Só sei, por exemplo, que cortar carboidrato pode trazer um baita mau humor, porque estou sem ele há dois meses e esta reação não precisa ser interpretada pela psicologia: é química! Sei quando dizer “isso faz parte” ou “isso vai passar”. No consultório pondero com mais propriedade quando aprofundar um assunto, porque tenho um discernimento mais claro de quando “está em jogo” uma crença limitante ou quando simplesmente se trata da aquisição de um novo hábito. Conheço as variações de humor inerentes à dieta, já experimentei diferentes exercícios, também tenho preguiça e, muitas vezes, quero “abandonar o barco”. Me identifico com os sentimentos antagônicos e com as dificuldades da privação, porque pratico a disciplina e não porque li num livro. Já me perdi e me achei várias vezes e por isso sei aonde os pacientes se “boicotam”.

Fui num nutricionista que de funcional-esportivo só tinha o nome. Ele prescreveu um iogurte antes da minha corrida e, generosamente, me deu como opção de substituição um copo de leite. Quem corre sabe que qualquer laticínio antes da corrida é uma combinação fatal. Para completar o desastre, ainda o flagrei num rodízio de pizza na minha esquina. Ali nosso relacionamento acabou. E o meu repertório de incoerências não termina por aqui. Numa segunda tentativa fui parar em outro nutricionista que quis me convencer que um suco poderia substituir meu jantar. Cruzes, me dá fome só de lembrar!

Alguns dos meus textos são mais informativos e desenvolvi baseado em livros – a teoria tem o seu lugar: ela traz consistência e profundidade. Eu mesma aproveitei idéias de autores da psicologia para mudar minha forma de pensar frente à comida, mas a prática….aaah! Ela me faz escrever com o estômago e me traz o bom senso necessário para filtrar esse bombardeio de informações “fitness”. Aqui fala a psicóloga, mas também alguém que faz dieta e, muitas vezes, quer desistir – e desiste sim, porque só contar vantagem é fácil. As concessões fazem parte, mas viver o que se prega é essencial. Integrar teoria e prática é fundamental e foi com este objetivo que desenvolvi o S.O.P.A. Bons profissionais não divulgam conceitos, eles vivem um estilo de vida.