A Dra. Natasha Campbell é médica, pós-graduada em neurologia e nutrição. Ela tem uma clínica em Cambridge de nutrição infantil especializada em disfunções comportamentais, de aprendizado ou algum problema digestivo. A partir da sua experiência constatou que desordens como esquizofrenia, depressão, compulsão alimentar, transtorno obsessivocompulsivo e bipolaridade podem ser explicados pela conexão entre o intestino e o cérebro.

Na maior parte das vezes problemas digestivos começam quando a amamentação é substituída por outro tipo de leite ou outras comidas são introduzidas. Em geral é quando a criança tem aproximadamente 2 anos de idade que desenvolvem maus hábitos alimentares: cereais no café da manhã, biscoitos, bolos, alimentos repletos de açúcar. Cerca de 60% a 70% das crianças autistas que ela atendeu tinham uma dieta extremamente restrita, com 2 ou 3 itens apenas. É raro atender um autista que não se alimentasse mal e tivesse fezes regulares. A maior parte destas crianças não é examinada por um gastroenterologista e, segundo a médica, até hoje, ela nunca atendeu um autista sem problemas digestivos. Mas como se dá esta relação?

Somos habitados por largas colônias de micróbios no sistema digestivo e não podemos viver sem elas. O intestino grosso de um adulto saudável carrega entre 1,5Kg a 2Kg de bactérias e elas são fundamentais para nossa vida. Esta micro flora pode ser dividida em 3 grupos:

1)Flora Benéfica ou Essencial – São as bactérias do bem, as mais numerosas e mais importantes para nossa existência.

2)Flora Oportunista – Numa pessoa saudável estes números são limitados e controlados pelas bactérias do bem. Estas bactérias podem causar vários distúrbios caso se proliferem.

3)Flora Transitória – São os micróbios que diariamente ingerimos através de comida e bebida. Quando o intestino está bem protegido pelas bactérias do bem este grupo não nos ameaça. Caso contrário, pode causar doenças.

Estas bactérias cobrem o trato digestivo e promovem uma barreira natural contra invasores, comidas indigestas, toxinas e parasitas. Além de promover uma barreira física, elas trabalham contra micro-organismos invasores e patogênicos. É como se elas ativassem o sistema imunológico para responder de forma apropriada aos invasores e sem elas nosso organismo se torna mais vulnerável.

A flora intestinal também é a principal responsável pela nutrição do corpo, porque é ela que fornece a maior parte de energia e nutrientes para as células do trato digestivo. São as bactérias do bem que convertem as substâncias em nutrientes. Quando esta flora está danificada, as melhores comidas e suplementos do mundo provavelmente não serão quebrados, digeridos e absorvidos. Natasha constatou que todos os pacientes com transtornos psicológicos que atendeu apresentavam deficiências de minerais, vitaminas, gorduras e outros nutrientes essenciais para o cérebro, para o sistema imunológico e para o resto do corpo. Para a médica o bom funcionamento do intestino e da flora é a causa da nossa saúde. Funciona como uma árvore: sem uma raiz saudável ela não vai prosperar.

Além disso, um número desconhecido de toxinas é produzido quando a flora intestinal está em desequilíbrio. Estas toxinas são absorvidas pelas paredes do intestino, passam para o sangue e chegam ao cérebro. Esta mistura de toxinas varia de pessoa para pessoa – por isso causam transtornos totalmente diferentes. Para a médica estas toxinas que chegam ao cérebro associadas a uma baixa no sistema imunológico e a falta de nutrientes no cérebro são algumas das principais causas dos transtornos psicológicos. É fundamental tratar o sistema digestivo. Desta forma as toxinas do organismo diminuirão e o paciente voltará a digerir e absorver comida de forma apropriada, nutrindo melhor o cérebro. O consenso geral é que a maior parte dos sintomas destes transtornos psicológicos não regridem. Já Natasha descreve muitos casos em que seus pacientes se recuperam 100% através de alimentação e suplementação adequada.

FONTE: livro Gut and Psychology Syndrome de Natasha Campbell-McBride