Eu sabia que emagrecer não era mais uma escolha: a gordura havia se tornado uma ameaça há tempos. Fingia para mim mesmo que a situação não era tão grave até que viajei de férias para Fortaleza e no voo tive uma crise tão séria de falta de ar que quase forçou a aterrissagem do avião em qualquer canto. A causa: uma trombose arterial que poderia ter me matado.

Passei meu aniversário na UTI e aquele dia foi um marco, um renascimento. Eu queria mudar, mas não sabia como começar. Visitei uns 5 médicos e o diagnóstico foi unânime – fazer cirurgia bariátrica. Desculpem minha ignorância, mas me recusava a passar por isso. Não queria me mutilar. Uma amiga me indicou o SOPA e fui conhecer. Apesar de fazer terapia há anos não entendia como uma outra psicóloga poderia focar no emagrecimento. E assim começamos um trabalho que já dura 8 meses. No total emagreci 27 Kg e não tenho mais o IMC necessário para fazer uma bariátrica. Queria voltar em cada um dos médicos e contar o resultado. Durante esta jornada descobri as causas da minha fome emocional e como lidar com elas. Tiveram meses que não emagreci uma grama e até pensei em desistir.

Ainda não atingi minha meta, porém hoje me sinto vitoriosa. Aprendi que as substituições da dieta podem ser prazerosas e percebo que muitas pessoas me admiram não porque fiquei mais bonita, mas porque percebem que tenho as rédeas da minha vida. Virei referência de receitas e condutas fitness até entre as magras da família. Minha mãe que sempre implicava com a minha suposta “falta de vergonha na cara”, ficou impressionada de eu caber em alguns manequins e ela não. Como a comida não é mais tão central na minha vida, descobri outros prazeres. Sinto-me mais disposta e ousada. Pelo fato de ter conseguido realizar este projeto, tenho energia para realizar muitos outros: curso de inglês, viagem para degustar vinhos, academia. Tudo bem, na verdade, este último anda meio de lado, mas ninguém é perfeito, né?