Robson é brasileiro, classe média e sempre correspondeu as expectativas sociais. Tem um “bom emprego” no banco, busca uma namorada para casar e ter filhos e está tentando emagrecer. Aos domingos almoça com sua mãe e irmã. Aparentemente tudo certo, né? Ao que tudo indica Robson parece realizado. Na roda de conversa dos amigos está sempre bem: tem um trabalho estável mesmo na crise do país, mora sozinho, corre diariamente e sai com várias mulheres.

Robson tinha sonhos: queria perder a barriga, trabalhar com filmes e ter uma produtora. Depois que ele passou no concurso público decidiu postergar sua vocação e sua rotina hoje se resume a cadastrar produtos em um sistema e fazer algumas ligações. Todos os dias quando ele vai para agência pensa que qualquer pessoa sem instrução poderia fazer seu trabalho e pensa nos anos de mestrado desnecessários que imaginou usar um dia. A melhor hora é a do almoço e depois a do lanche. Ele já experimentou todos os fast foods da redondeza, comemora as promoções do Mc Donald´s e mal pode esperar a inauguração do novo Spoleto na sua esquina. Assim que passou para o concurso comprou várias roupas novas, mas nunca usou, porque sua equipe anda sempre desleixada e ele teve medo de destoar. Até tenta perseguir seu projeto de perder a barriga, mas ao invés de dar 2 voltas correndo na lagoa conforme a prescrição do seu treinador, dá uma e acha que está bom, afinal ninguém que ele conhece corre.

Nos finais de semana ele está sempre moído da semana, porque só faz atividades burocráticas. Passa as tardes vendo televisão, baixou alguns aplicativos de paquera e, às vezes, leva quem quer conhecer para um mesmo barzinho e pede o mesmo drink. Quando pensa em fazer algo diferente sente uma preguiça tão grande que prefere ver seu futebol no ar condicionado. Ele não tem mais energia para experimentar o novo e nem para se cuidar. Robson está com olheiras cada vez maiores, mas não se importa, afinal todos do seu setor já estão calvos. E assim recomeça mais uma semana, um mês, um ano – dia após dia e Robson prefere subir de elevador, mesmo trabalhando no primeiro andar.