Casório na sexta, aniversário da amiga no sábado e churrasco no domingo.  Depois da comilança do fim de semana, aquela seria a pior segunda-feira para ir a minha nutricionista. Mas não teve jeito e fui. No consultório, ela, com ombros murchos e me olhando sem jeito, disse “então, você engordou dois quilos…dois quilos de gordura”. Uma hora antes, eu havia entrado naquele consultório sozinha, mas sai acompanhada de vários fantasmas. Eles me acompanharam na rua, pegaram o taxi comigo e me escoltaram até a porta de casa. Aquilo já era demais e pedi que me deixassem, mas eles insistiram e fizeram questão de entrar comigo no apartamento. Enquanto escrevo, eles permanecem a meu lado, sempre presentes, de branco e em silêncio, como acompanhantes de idosos.

A questão são eles, os fantasmas, e não os dois quilos de gordura em si. São eles que me enchem de desânimo e me fazem ver que o meu pior algoz sempre foi “a gorda” que existe dentro de mim e que insiste em não morrer.

Tive vontade de urrar e gritar, mas só chorei. Me sinto passada para trás, como se nada, absolutamente nada que eu fizesse fosse dar certo. Mesmo que isso seja madrugar todos os dias, ir malhar dolorida e chegar em casa fedorenta e encharcada de suor. Isso não é justo. Parece que estou sempre fazendo algo errado: ou combino alimentos que não podem, ou não dou meu máximo no crossfit, ou sei lá o que! É como se apaixonar por um cara que mesmo você se doando ao máximo, nunca é o suficiente. Ao mesmo tempo que não consegue agradá-lo, também não consegue deixá-lo de lado, ou seja, não tem solução, qualquer caminho leva ao sofrimento.

Já não aguento mais ouvir “foco & disciplina”. Sinceramente, qual a solução? Conversar com o rabino? Um babalorixá? Eu fiquei tão triste que nem sei mais no que acreditar…eu odeio ficar reticente, como um vira-lata sem fé no futuro. Quero sempre passar uma mensagem positiva e otimista em relação as dificuldades da vida, mas nem sempre dá. Nem tudo são flores!