“A verdade é que cada uma tem que ser feliz e se aceitar como é”, ao ouvir esse comentário de uma amiga, senti um calafrio e cocei a nuca. “O que foi?”, ela me perguntou, “falei alguma coisa errada?”. “Claro que não.”- respondi, “você está coberta de razão”.

Menti, minto e seguirei mentindo. Eu minto que nem sinto. O que acontece é que amo minhas amigas e preciso delas para brindar na derrota e na vitória. Sim, eu sou uma mentirosa costumaz e quanto mais amo uma pessoa maior é a “vista grossa” para tudo que vejo de errado. Elas devem fazer isso comigo também.

Voltando à realidade: não, eu não acredito que todas têm que se aceitar e ser feliz com o que têm, na verdade penso o oposto, acredito que todos devem se esforçar para melhorar. Esse é o verdadeiro ponto de virada.

Esse mantra de que temos que ser feliz com o que temos é justíssimo para outras coisas da vida, como coisas que, de fato, não podemos mudar. De resto isso parece revista de auto-ajuda, pois não se aplica ao nosso corpo e muito menos se aplica à gordura. Ficar repetindo isso para si mesma é alimentar a criança mimada que existe dentro de você. Como todas as crianças, essa também não é má, ela só precisa se acostumar com a palavrinha: NÃO. Educar uma criança dá muito trabalho, eu sei bem, porque a criança que carrego foi mimada por muitos anos e ainda faz birra quando recebe um “não”  pela frente. Dizer não de manhã, não à tarde, não à noite, todos os dias da semana é muito cansativo. Tem hora que você não aguenta e diz, “quer saber? Dane-se, vai lá e come tudo” e pronto, você caiu de novo na armadilha.

Você pode lutar por política, contra a fome na África, pela paz no Oriente Médio, pelo Che Guevara ou seja lá o que for, mas no fim o único combate que existe é o que leva ao sinuoso e sofrido caminho da mudança.