Todos os dias somos bombardeados com informações sobre dietas, suplementos e soluções milagrosas. Corpos esculturais são divulgados pela mídia, Instagram e afins com o discurso de que foco e disciplina são suficientes. Algumas promessas reais, outras impossíveis de serem alcançadas de forma natural, através da dobradinha alimentação + treino. Masisso ninguém te conta! As conseqüências? Um padrão de exigência cada vez mais alto e, com ele, surgem novos transtornos psicológicos como as distorções na auto-imagem. Eu odeio o meu corpo, nunca estou forte o suficiente, nunca estou magra o suficiente são discursos recorrentes de quem sofre uma distorção. Acho ótimo buscarmos nossa melhor versão, mas no caso destes transtornos o indivíduo não percebe de forma fidedigna sua imagem frente ao espelho e se enxerga sempre aquém do seu ideal. Alguns desenvolvem técnicas não saudáveis de controle de peso, como indução de vômitos, exercícios físicos rigorosos e dietas drásticas. Dificilmente reconhecem ter um problema, porque se acham mais exigente do que a média e buscam uma perfeição inatingível. Não percebem o exagero e sentem-se incompreendidos. Sofrem calados. Por vezes quem convive também não reconhece o transtorno. Julgam. Acham que é frescura, neura. Não sabem como lidar.O primeiro passo é reconhecer que algo não vai bem para, então, buscar ajuda. A vulnerabilidade psicológica pode (e deve) ser fortificada através de um psicólogo. Para a grande maioria, a mola propulsora é a fantasia de que – para ser aceito e admirado – são necessárias medidas ideais.Por meio do corpo querem se sentir mais felizes e seguros. Geralmente são pessoas míopes para suas qualidades, que exacerbam de forma desproporcional seus defeitos. Interpretam situações neutras ou positivas de forma totalmente equivocada e, assumem um ponto de vista tendencioso. Estes parâmetros precisam ser entendidos para que sejam revistos. Pais exigentes, um namorado rigoroso ou a simples sensação de não se sentir amado pode ter sido suficiente para alimentar esta busca incessante por aceitação. Ao examinarem criticamente seus pensamentos e corrigi-los, geralmente se sentem melhor. Enquanto não se exercitar os músculos da cabeça, o espelho continuará sendo o maior dos vilões.