Segundo pesquisa do IBGE publicada no site do Jornal “O Globo”*, no Brasil, 56,9% das pessoas com mais de 18 anos estão com excesso de peso e 20,8% das pessoas são classificadas como obesas. Se fazer dieta fosse fácil, estes números não estariam tão expressivos!Para que o emagrecimento aconteça, são necessárias tanto uma mudança em uma esfera profunda como também mudanças mais superficiais nos hábitos e nos comportamentos do diaadia. Essas mudanças podem se influenciar mutuamente.

As mudanças mais superficiais são as de hábito e de rotina. É estabelecer uma dieta que seja TOTALMENTE viável e adequada para você. Eu, por exemplo, faço questão de comer algo doce e não suporto abacate. Minha dieta precisa contemplar estas necessidades, caso contrário, não conseguirei sustentá-la durante muito tempo. Estabelecer uma rotina de exercícios que não seja um martírio para você também é fundamental. Em um primeiro momento, manter costumes saudáveis, talvez, não façam sentido e soem como imposições, regras chatas e restritivas. E, de fato, também são. Porém, os novos hábitos precisam existir e funcionar para o alcance de um objetivo maior. E eles não podem ser relativizados! É importante que exista uma disciplina militar no início, porque o cérebro precisa ser reeducado a partir da ação até que ele naturalize esses novos padrões de comportamento.

Para todo esse processo engrenar, é importante que, inicialmente, você apenas faça. Evidente que dificuldades e barreiras psicológicasaparecerão nessa trajetória e não podemos atropelá-las, mas a ação tem a sua relevância.  É a partir da experiência desta nova rotina que as dificuldades emocionais poderão surgir e exigirão mudanças mais profundas.

Primeiramente o sentido real e verdadeiro da sua necessidade/vontade de emagrecer precisa estar muito claro. Você precisa estar inteiro e decidido, ainda que você dê as suas escorregadas ao longo do caminho. É fundamental achar um sentido realmente consistente e autêntico para o emagrecimento, uma vez que o processo é lento, gradual e, muitas vezes, chato. Se não existir uma motivação maior, é muito comum a desistência. A dieta também não pode ser considerada um fardo, senão o processo fica demasiadamente penoso e as chances de fracasso aumentam. Por isso é muito importante que você se lembre constantemente sobre os pontos positivos do ato de emagrecer e não rumine os pontos negativos, as restrições e a disciplina que o processo exige. Veja essa jornada com leveza e não como uma penitência! As dificuldades farão parte do processo e encará-las de forma tranquilaserá um diferencial.

Mudar as crenças limitantes relacionadas ao emagrecimento também é parte essencial do trabalho. Seguem exemplos de pensamentos que temos e, às vezes, nem percebemos:

  • “Não consigo emagrecer, porque minha família toda está acima do peso”;
  • “Meu biótipo é assim”;
  • “Esta realidade fitness não é para mim”;
  • “Não tenho força de vontade”;
  • “Não sei administrar limites”;
  • “Tenho compulsão alimentar”;
  • “Não consigo me controlar com comida”.

Existe uma infinidade de crenças sobre o tema que podem empacar o processo. Para mudar a forma como nos relacionamos com a comida é necessário rever nossos valores. Lembre-se de tudo aquilo que ouviu da sua família e do seu contexto em relação a comida e cheque se estas falas fazem sentido para você hoje. Marque um encontro com a sua versão criança e verifique o que está registrado.

Conforme seu corpo for mudando o processo se tornará mais fácil e, inevitavelmente, um novo ponto de vista será adotado.Desta forma, as novas rotinas de alimentação e exercícios físicos, de forma prática e pragmática, são capazes de influenciar suas questões emocionais mais profundas e estabelecer uma nova forma de enxergar o mundo. Ao mesmo tempo, uma perspectiva mais aprofundada sobre o tema é imprescindível para encontrarmos sentido naquilo que fazemos, caso contrário, o ato de emagrecer se transforma em infinitas regras que seremos adestrados e cumprir.

Fonte: G1