Está triste? Chore! Está feliz? Comemore, cante, dance! Está com raiva? Extravase! Apesar de parecer fácil não é isso que acontece na maioria das vezes! Sempre que nos defrontamos com uma dificuldade é natural tentarmos nos livrar dela. Podemos fazê-lo de inúmeras formas: tentando solucioná-la, ignorando-a ou soterrando-a sob uma pilha de distrações.

É difícil admitir nossa impotência e vulnerabilidade. E, no fundo, talvez tenhamos medo do julgamento dos outros. Porém, mais cedo ou mais tarde, chega um ponto em que essas estratégias deixam de funcionar, porque nosso combustível acaba ou porque as dificuldades se mostram realmente insolúveis. Quando atingimos essa encruzilhada temos duas opções: fingimos que não há nada de errado (e vivemos de forma miserável e superficial) ou mudamos nosso relacionamento conosco e com o mundo. Essa última opção é a aceitação de nós mesmos e daquilo que está nos incomodando. Ela significa voltar-se para a dificuldade e ser amigável com ela, especialmente quando é desagradável.

Aceitação não significa ser passível. Não é desistir nem desligar-se das coisas. Aceitar significa receber, apoderar-se de algo, captar, compreender. Aceitação é uma pausa, um período de deixar ser, de visão clara. Aceitar nos torna menos propensos às reações automáticas. Permite que nos tornemos plenamente conscientes das dificuldades, com todas as suas nuances dolorosas e nos faz reagir a elas da forma mais hábil – e mostra que, às vezes, a melhor maneira de reagir é não fazer absolutamente nada.

A aceitação vem em duas etapas. A primeira envolve observar a tentação de expulsar ou suprimir sentimentos e pensamentos perturbadores. A segunda é recebê-los e honrá-los. Pode ser uma experiência difícil e dolorosa, mas não é tão ruim quanto se resignar a uma vida cheia de angústias. O segredo é dar pequenos passos de cada vez.

A mente vai tentar suprimir a negatividade ou resolver o que está incomodando. Tome cuidado com a tentação de resolver ou solucionar as dificuldades, pois esta é a forma que a mente ativa os caminhos do piloto automático. É nesta hora que a observação das reações do corpo se torna imprescindível. A atenção ao corpo e a respiração permitirá que haja um pequeno espaço entre você e o problema, de forma que não se envolva diretamente com ele. Em certo sentido, você usa o corpo para reagir à negatividade, em vez de usar a mente analisadora. Perceba momento após momento suas reações físicas aos pensamentos. Mantenha uma percepção gentil e compassiva que esteja imbuída de ternura e curiosidade. Como diria Rumi, um poeta sufista do século XIII:

Ser humanos é como ser uma hospedaria

onde todas as manhãs há uma nova chegada.

Uma alegria, uma depressão, uma mesquinharia,

uma percepção momentânea chega,

como visitantes inesperados.

Acolha e distraia a todos!

Mesmo se for uma multidão de tristezas,

que varre violentamente sua casa

e a esvazia de toda a mobília,

mesmo assim, honre a todos os seus hóspedes.

Eles podem estar limpando você

para a chegada de um novo deleite.

O pensamento escuro, a vergonha, a malícia,

receba-os sorrindo à porta, e convide-os a entrar.

Seja grato a quem vier,

porque todos foram enviados

como guias do além.

Fonte: “Atenção Plena – Mindfulness” de Mark Williams e Danny Penman