Divido a vida com um homem que se acha um grande entendedor de dietas. Ele é um glutão e nunca foi numa nutricionista, mas tem prazer em se intrometer na minha alimentação, mas no fundo não entende absolutamente nada. Até temos um dia-a-dia ativo: fazemos esportes, mas quando se trata de alimentação, não existe consenso.

Quando começo uma nova dieta, ele vem logo “cantar de galo”: “ué agora pode mate? É diurético? Achei que a outra lá (nutricionista) disse que era industrializado…” Ai que cansaço que me dá explicar. Ou quando estou preparando milimetricamente as minhas porções, tipo uma “crepioca” – que é feita com míseras duas colheres de tapioca e um ovo, e ele vem – depois de ter comido 3 pães – e me pede um pedaço. Como se estivesse com fome! Como se a mordida fosse pequena. Como se uma “crepioca” fosse o suficiente para matar minha fome! E quando nego sou tida como egoísta, comilona! Ele ainda dá um arremate: “Deve ser por isso que não emagrece!”

Comecei a tomar um manipulado que ajuda a secar e expliquei em casa para que as cápsulas não fossem confundidas. Ele ouviu atentamente e, após dois dias, me pergunta: “e aí? Já emagreceu? A pílula é boa mesmo?” Como se a bendita fosse milagrosa! Para completar ainda me diz enquanto eu lavava a louça: “O que está fazendo de errado? Sua bunda continua igual” – como quem diz “ sua bunda continua caída”.

Para fechar com “chave de ouro” as pérolas da vida privada, outro dia cheguei mais cedo do trabalho e ele já estava em casa. Surpreso, ao me ver, fez uma cara de quem aprontou e eu logo pensei que daria um flagrante na outra!  Na sequência a campainha toca e ele confessa: “Pensei que você não fosse chegar… pedi 2 pizzas.” Eu que tinha comido sopa de ervilha praticamente a semana toda, me tranquei no quarto para resistir aquele cheiro maravilhoso. Estava a um passo de jacar.

Não quero provocar separações ou desestimular a vida a dois, mas expor alguns desafios da convivência de quem faz dieta. É difícil manter uma alimentação regrada quando se vive com pessoas, sejam pares ou família, que pensam diferente e, muitas vezes, questionam e te expõem a situações tentadoras. Sou vista como egoísta, por não querer dividir minhas micro porções de comida ou socialmente sou tida como xiita, por não abrir a exceção de comer um pão num couvert, por exemplo. E os inúmeros convites negados de sair à noite que me renderam a fama de antissocial.  Muitas vezes me sinto incompreendida ou cobrada por resultados imediatos. Impossível explicar um estilo de vida para quem não o tem. Os verbos estão sempre no gerúndio: estou emagrecendo, mas não fico magra; estou chegando, mas nunca chego, de fato, na terra prometida. Ufa!